Nova morada

Amigos e Amigas, esta árvore já secou. por favor dirijam-se ao novo local de contemplação das idiotices de Miguel Tavares.

Vão aqui, no Voo513.

Have to dance…

recordando a noite de sábado. para repetir se faz favor!

Dar boleia

entrei no carro com calma, a garagem estava muda. não tinha presa em sair, talvez por isso tenha sido tão vagaroso. saí do carro só para guardar um casaco que nos últimos dias foi fazendo do banco traseiro o seu poiso de eleição. saí e deixei as portas abertas.

penso que foi nesse momento que entrou e confortavelmente se instalou um passageiro indesejado, que nem autorização pediu. entrou e ficou, e nem me apercebi da sua entrada.

subiu o portão, lá fora chovia. comecei a viagem. com os vidros fechados, iPod ligado, seguia a conduzir naquele estado tão característico de piloto automático que passados alguns minutos me leva a pensar ‘como é que cheguei aqui?’.

esse estado absorto apenas foi interrompido pela desagradável surpresa de me aperceber que não viajava sozinho naquele carro – uma mosca, insecto irritante, começava a circundar o meu raio de acção. cantava-me aos ouvidos uma melodia estridente e agonizante. a toda a velocidade passava pelo meu campo de visão.

já tinha conseguido desviar a minha atenção. a música que o iPod insistia em tocar já não era a que os meus ouvidos escutavam. já só conseguia sintonizar o ruído do movimento do insecto irritante que decidiu entrar no meu veículo de transporte, fazer-me sair do estado de ausência enquanto me acompanhava numa curta viagem pela minha cidade.

raio da mosca, insecto irritante. não podia baixar o vidro lateral, sob o risco de novo banho. a táctica da sapatada também não estava a funcionar, e voltar para a faixa de rodagem contrária não estava nos meus planos.

raio da mosca, insecto irritante. acordou-me da relaxante letargia, afastou a música que com gostou ouvia, conseguiu que levasse o carro para a outra faixa. estragou uma viagem que tinha tudo para ser calma.

raio da mosca, insecto irritante.

Hoje vi-te

nota prévia: texto confuso, não recomendado a mentes pouco imaginativas

hoje vi-te. não parecias tu, mas hoje vi-te. não era o teu cabelo, não eram as tuas formas, mas hoje vi-te. não era a tua roupa, não era o teu calçado, mas hoje vi-te.

os comportamentos eram diferentes dos teus, as mãos não se mexiam como as tuas, faziam desenhos disformes, piores que rabiscos de alunos do 1º ano do Ensino Básico. não parecias tu, mas hoje vi-te.

estavas num sítio público agarrada a um rapaz que não eu, por isso não podias ser tu. olhei, com mais atenção ainda. olhei-te e não eras tu, mas hoje vi-te.

vi-te e não gostei do que vi. fiquei inquieto, preocupado, fiquei carente. vi-te, mas quem estava ali não eras tu.

espero eu…

Desatenções ortográficas

na verdade sou um esquisitinho. em tudo!

e na escolha ‘daquela’ mulher também, como é óbvio! uma das esquisitices em que tenho insistido são as gralhas ortográficas, ou desatenções como elas costumam dizer. passo a citar algumas das mais interessantes e das mais usadas.

‘oh, não tem nada haver’;

‘sim, as vezes aconteçe-me isso’;

‘tu és demais’;

‘é mais ao menos isso’

o mote está dado, agora, sintam-se à vontade para acrescentar algumas preciosidades nos comentários do post.

Bom apetite!

ter fome e ir jantar a um restaurante que está a abarrotar pelas costuras pode não ser a melhor escolha para um qualquer dia da semana.

ter fome e ficar meia-hora à espera que o nosso pedido seja disposto à nossa mesa para que possamos, finalmente, ter acesso a um dos maiores prazeres da vida – pelo menos para mim, comer é um enorme prazer – pode ser uma experiência crescente de ansiedade. enquanto nos sentamos e lemos o cardápio, vamos imaginando o sabor do que acabámos de pedir – à fome junta-se agora a vontade de comer! depois de pedirmos, começa a espera, e alguns momentos agonizantes vão-se sucedendo.

um dos mais difíceis de suportar é quando vemos a nossa tagliatelle com camarão surgir, naquele seu aspecto deleitante, no balcão. o empregado de mesa suporta o seu peso e dá início à viagem que levará o prato que pedimos até à nossa mesa. qual cão de Pavlov começo a salivar – finalmente a divina refeição chegou! ‘mas….mas….mas então porque não paraste aqui na minha mesa, oh senhor empregado de mesa?mas…esse era o meu pedido’ e os olhos arregalam-se de espanto e de descontentamento à medida que vamos vendo outro cidadão saborear o que era suposto ser nosso!

o desapontamento cresce, e deixa-me por momentos a olhar para o guardanapo e para o pequeno prato das entradas, já há algum tempo abandonado no centro da mesa. novo pedido surge no balcão que separa a cozinha da sala de jantar do restaurante que hoje escolhemos. olho para quem me acompanha nesta refeição e vejo um crescente brilho nos olhos à medida que o pedido se vai aproximando. talvez esteja essa pessoa a passar pelo que sofrimento que acabei de sentir na pele, e em todo o meu sistema digestivo. pois, mais uma vez o pedido foge-nos e vai directo para uma mesa que não devia estar ocupada, e cujos ocupantes não deveriam ter feito um pedido igual ao nosso!

a esta hora já as minhas papilas gustativas choram convulsivamente, desesperando por algo que teima em tardar! mais uma vez, uma mirada ao vazio pires das entradas. já nem a broa sobrevive.

e eis que…’será desta??? é desta!!’.

‘ora aqui está o seu pedido! bom apetite!’, respondo-lhe com um murmurado obrigado – a concentração já está noutro lugar.

começo a comer, e a provar os ingredientes que me fizeram aumentar a ansiedade, a frustração, o desânimo. confesso que depois de tanto tempo, esperava algo melhor. bolas, quem espera desespera!

Pequenos prazeres

sair de casa ao início da noite, entrar no carro, e seguir viagem até à sala de cinema que passa o filme que quero ver.

sozinho. quero ver, sozinho.

sento-me, deito-me, aconchego a cadeira ao meu corpo. completamente à vontade.

ir ao cinema sozinho continua a ser uma das coisas que mais prazer me dá, e já não sentia este sabor há muito tempo.

post scriptum – ou sou um perfeito imbecil, ou não entendo como pode alguém desistir de ver ‘O Solista’. não entendo…

Irrita-me o que posso ser

é um pouco estranho reparar que ao ‘crescer’ me vou transformando num daqueles adultos que outrora me irritavam. daqueles que diziam coisas mais do que óbvias, às quais não podíamos responder de outra forma que não com um encolher de ombros e um sorriso ou com um tímido olhar para o chão. pelo meio, saía um encabulado ‘pois…’.

em diversas ocasiões dei por mim a dizer uma daquelas frases que tanto me irritavam, e depois pensei ‘foda-se…disse mesmo isto?!? que adulto estúpido e secante aquele em que me estou a tornar.’

tal como no meu tempo de adolescência e infância, nunca soube o que dizer quando uma das frases do diálogo era ‘epá…estás grande! cresceste!!’. pensava sempre para mim ‘pois…é a tendência natural. se tivesse a decrescer em altura é que seria preocupante’. mas nunca tinha a coragem para o dizer ao adulto com quem falava.

de certeza que os putos de hoje em dia pensam exactamente o mesmo quando lhes digo isso…

Coragem

gostava de ser bravo. ter coragem. ter muita coragem!

gostava de ter coragem, mas não tanta como a deste herói do norte, com notória capacidade para o mundo do espectáculo. é giro ver estas pessoas do povo mediatizarem-se à custa dos risos que provocam nos espectadores.

ao que parece, este talentoso até já foi capa de jornal.

Fogo…

e um gajo já chegou à fase de preparar uma despedida de solteiro!

ai cum carai…e eu que me lembro de dizer que o primeiro a enforcar-se ia ser o André P.!!

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