nunca gostei muito de poesia. dá muito trabalho pensá-la para posteriormente a escrever. também nunca gostei muito de a ler.
nunca fui da onda do vandalismo. a minha mãe sempre me cultivou o ar beto, de menino-bem.
isto junto dá o que?
em quase 26 anos de vida, num escrevi um único poema de casa-de-banho! nem por uma vez, sentado numa poltrona de loiça branca tive a audácia de sacar duma caneta para deixar a minha marca numa porta de retrete. contudo, ganhei vários minutos da minha vida mirando as palavras mágicas de tantos artistas de WC. de pescoço inclinado para cima, com o cabelo a tocar-me na parte superior das costas, arregalo os meus grandes olhos castanhos (às vezes ficam cor-de-avelã, mas nunca numa cagadeira. há pouca iluminação), e leio maravilhado os testemunhos dos meus antecessores de trono. no entanto, para o final da minha vida académica estava a ficar cansado dos que escreviam sempre ‘lá fora és o maior, mas aqui borras-te todo’. evolução precisa-se!
no entanto, deixo aqui algumas dúvidas que sempre tive: nas casas-de-banho femininas também há obras de arte como as que anteriormente referi? os contactos que ficam nas portas são: do próprio que escreveu, de algum anúncio de jornal, de algum rapaz que conheçam e com quem queiram gozar, de alguma rapariga que faz mesmo as maravilhas que lá são publicitadas?