Arquivo de Outubro, 2009

Pequenos prazeres

sair de casa ao início da noite, entrar no carro, e seguir viagem até à sala de cinema que passa o filme que quero ver.

sozinho. quero ver, sozinho.

sento-me, deito-me, aconchego a cadeira ao meu corpo. completamente à vontade.

ir ao cinema sozinho continua a ser uma das coisas que mais prazer me dá, e já não sentia este sabor há muito tempo.

post scriptum – ou sou um perfeito imbecil, ou não entendo como pode alguém desistir de ver ‘O Solista’. não entendo…

Irrita-me o que posso ser

é um pouco estranho reparar que ao ‘crescer’ me vou transformando num daqueles adultos que outrora me irritavam. daqueles que diziam coisas mais do que óbvias, às quais não podíamos responder de outra forma que não com um encolher de ombros e um sorriso ou com um tímido olhar para o chão. pelo meio, saía um encabulado ‘pois…’.

em diversas ocasiões dei por mim a dizer uma daquelas frases que tanto me irritavam, e depois pensei ‘foda-se…disse mesmo isto?!? que adulto estúpido e secante aquele em que me estou a tornar.’

tal como no meu tempo de adolescência e infância, nunca soube o que dizer quando uma das frases do diálogo era ‘epá…estás grande! cresceste!!’. pensava sempre para mim ‘pois…é a tendência natural. se tivesse a decrescer em altura é que seria preocupante’. mas nunca tinha a coragem para o dizer ao adulto com quem falava.

de certeza que os putos de hoje em dia pensam exactamente o mesmo quando lhes digo isso…

Coragem

gostava de ser bravo. ter coragem. ter muita coragem!

gostava de ter coragem, mas não tanta como a deste herói do norte, com notória capacidade para o mundo do espectáculo. é giro ver estas pessoas do povo mediatizarem-se à custa dos risos que provocam nos espectadores.

ao que parece, este talentoso até já foi capa de jornal.

Fogo…

e um gajo já chegou à fase de preparar uma despedida de solteiro!

ai cum carai…e eu que me lembro de dizer que o primeiro a enforcar-se ia ser o André P.!!

BE – Beleza de Esquerda

não quero fazer da política uma coisa sexual. não quero aqui dizer que quem vota vai atrás da maior ou menor beleza dos candidatos, e não das suas ideias, convicções e estratégias de desenvolvimento. muito menos quero ser como aquela senhora que na celebração da vitória do PS nas legislativas disse que isto ia ser ‘muita bom! então, o gajo é bonito, é bom, sabe falar, é inteligente! que mais pode uma melhorar querer? claro que com ele o futuro vai ser muita bom!’

no entanto, não posso deixar de salientar que ver uma Ana Drago, uma Joana Amaral Dias ou uma Marisa Matias, em campanha é bem mais agradável que ver um Miguel Portas, ou um Marques Mendes.

De génio e de louco…

há uns tempos vi umas declarações do senhor Silvio Berlusconi – comum indivíduo do sexo masculino que parece gostar de se encaixar com prostitutas de luxo, e que partilha os jardins de sua casa com antigos primeiros-ministros de outros estados membro da UE e também senhoras com pouca roupa – sobre a família Obama e a sua cor de pele. aliás, foi a segunda vez que usou o mesmo termo para falar de Barack Obama.

o povo riu-se.

de seguida, ouvi também o comentário de Joana Amaral Dias (suspiro do tamanho do Taj Mahal) às declarações de Berlusconi. acusou-o de xenofobismo, pois claro. comparou-o também a Alberto João Jardim, disse que Itália é a Madeira da UE.

estes homens estão sentados no poder há tanto tempo, e têm tido tantas intervenções…’estranhas’ que me levam a perguntar: são palhaços de propósito? sabem que, tal como diria o grande senhor da rádio ‘é disto que o meu povo gosta!’? será que com as atitudes típicas dos dois referidos líderes, estão a agradar aos seus eleitores, garantindo assim mais votos?

são Alberto João Jardim e Silvio Berlusconi dois grandes líderes e dois políticos mais astutos que raposas, ou são apenas o reflexo do povo que os elege?

País de poetas

nunca gostei muito de poesia. dá muito trabalho pensá-la para posteriormente a escrever. também nunca gostei muito de a ler.

nunca fui da onda do vandalismo. a minha mãe sempre me cultivou o ar beto, de menino-bem.

isto junto dá o que?

em quase 26 anos de vida, num escrevi um único poema de casa-de-banho! nem por uma vez, sentado numa poltrona de loiça branca tive a audácia de sacar duma caneta para deixar a minha marca numa porta de retrete. contudo, ganhei vários minutos da minha vida mirando as palavras mágicas de tantos artistas de WC. de pescoço inclinado para cima, com o cabelo a tocar-me na parte superior das costas, arregalo os meus grandes olhos castanhos (às vezes ficam cor-de-avelã, mas nunca numa cagadeira. há pouca iluminação), e leio maravilhado os testemunhos dos meus antecessores de trono. no entanto, para o final da minha vida académica estava a ficar cansado dos que escreviam sempre ‘lá fora és o maior, mas aqui borras-te todo’. evolução precisa-se!

no entanto, deixo aqui algumas dúvidas que sempre tive: nas casas-de-banho femininas também há obras de arte como as que anteriormente referi? os contactos que ficam nas portas são: do próprio que escreveu, de algum anúncio de jornal, de algum rapaz que conheçam e com quem queiram gozar, de alguma rapariga que faz mesmo as maravilhas que lá são publicitadas?

Diferenças de idades

já tinha comentado isto com colegas treinadores, e cada vez mais penso que tenho razão, pois o contacto com a canalhada assim me leva a pensar. assim sendo, aqui vai disto Evaristo.

no antigamente, há bué bué anos atrás, quando crescíamos ao som dos delicados chamamentos da D. Lurdes, ou iluminados pelo brilho e pela pinta do bigode do Sr. Júlio, se tínhamos um colega que se portava mal, que fazia asneiras, que nas aulas não ouvia nada do que vinha dos professores e que basicamente só fazia…merda, ele era um mal educado, que não tinha respeito pelos outros, um puto estúpido.

hoje em dia, se houver um puto que só faça cagada atrás de cagada, e que tenha os comportamentos descritos anteriormente, em vez de ser um mal educado, sem respeito pelos outros, é apenas um miúdo hiperactivo.

mudam-se os tempos…



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